FOTOGRAFIAS NÔMADES... Proyecto Fetiche Afiche.

FOTOGRAFIAS NÔMADES-Usos do fotográfico na arte contemporânea. 
Exposição Fetiche-Afiche no Espaço F,espaço de exposições na área de fotografia, EBA, UFMG.


Atividade coordenada na UFMG, Universidade Federal de Minas Gerias pelo professor Adolfo Cifuentes.


Departamento de Fotografia Teatro e Cinema, EBA, Escola de Belas Artes, UFMG.

FOTOGRAFIAS NÔMADES

Uma pequena caixinha, taxonômica, criada sem pretensões epistemológicas "duras" me permite pensar há já um tempo uma série ampla de procedimentos fotográficos híbridos, ou procedimentos pictóricos, estéticos, etc., que articulam o fotográfico à deriva, à viagem, e a diversas formas de arte e intervenção urbana e diversos tipos de deslocamentos: físicos, simbólicos e / ou narrativos.

Penso por exemplo nos Monumentos de Passaic de Robert Smithson, caminhada topográfica, simbólica e fotográfica pela paisagem urbana degradada da New Jersey incorporada como subúrbia da grande Nova Iorque. Penso nas viagens nos Himalaia, nos Andes, no Saara e nas ilhas britânicas realizadas por Richard Long enquanto realizava (e fotografava) os seus círculos de pedras e as suas linhas traçadas na erva. Penso em Ana Mendieta esboçando, e fotografando, a sua própria silueta com flores, com terra e outros materiais nas paisagens de Iowa, México ou Cuba. E penso nas caminhadas e viagens que em muitos casos articulam a narrativa (ilustrada com fotos) dos romances de Georg Sebald. Fotografia e viagem se articulam e complementam de várias maneiras, e nessas formas de arte que procuram integrar a arte à vida, que se inscrevem no velho projeto de fugir do museu, da galeria, de se integrar como operação, encontro e processo, antes que como objeto reificado e museificado, a fotografia constitui-se, em muitos casos, como parceiro indispensável da viagem transfigurada em pesquisa estético-simbólica.

América re-visitada. A nossa América reelaborada: pelo desenho, pela fotografia, pela mistura e pela conversa que o artista argentino Eric Markowski gera e incentiva entre esses dois "meios técnicos". Postais, foto-desenhos de viagem, lembranças enviadas desde estas exóticas bordas sul-americanas para dar conta das várias Américas que dão forma à aparente unidade das muitas Américas Latinas que, felizmente, compõem as nossas Américas híbridas e mestiças...

Adolfo Cifuentes
Professor do Departamento de Fotografia Teatro e Cinema
Coordenador Espaço f, Espaço de Exposições na Área de Fotografia.
EBA, Escola de Belas Artes, UFMG


























































































FETICHE AFICHE.
Há já um tempo que o artista argentino Eric Markowski tem no cartaz (afiche em espanhol) o seu fetiche favorito. Ele vai juntando fragmentos deles nas ruas, faz intervenções neles e os coloca de novo nas paredes. Ou então os incorpora no seu trabalho. Ele começou na cidade de La Plata e depois o projeto continuou se deslocando para outras cidades. Na hora de viajar o transporte ou a disponibilidade dos cartazes pode virar uma dificuldade, aí ele pode trocar de suporte ou pegar o que houver à mão. Neste caso uma revistinha de Caça-Palavras. Estando de passagem o tempo só dá para uma para pegar uma lembrancinha sob forma de foto instantânea. Mesmo que a viagem seja em solitário o Eric sempre consegue aparecer nas fotos: desenhando sobre o caça-palavras um fragmento da realidade que tem em frente dele e inserindo a sua interpretação ilustrada na paisagem. Capturando o conjunto numa foto, confeccionando os seus próprios cartões postais.
Se ele consegue levar os cartazes ele os cola nas cidades, marcando os pontos do seu percurso. Deixando eles por aí, cantando num canto o famoso tango "Afiche" e abrindo o jogo para que um outro transeunte, por sua vez, os interfira. As fotografias que ele tira incorporando os seus caça palavras ilustradas se duplicam na imagem que constroem os seus cartazes nas paredes. As duas intervenções formam parte de uma mesma operação. Porém, em direções opostas, elas mostram, por um lado, o que Eric vai pegando e levando daqueles destinos que o receberam e, do outro lado, o que ele vai deixando como rasto do seu caminhar.
Lucía Gentille
(Lucía Gentille (1986-Bahía Blanca- Argentina.) é professora de Historia das Artes com Habilitação em Artes Visuais. Também é mestranda em Estética e Teoria das Artes, nos dois casos pela FBA, Universidade de La Plata. É membro do grupo de pesquisa independente C.A.R.P.A. Trabalha como docente e pesquisadora.)
Projeto Original: Eric Markowski (1987-La Plata Argentina).
Tutor do Projeto: Carlos Coppa.
Design Gráfico: Yazmín Govoni e Nicolás Costa. Na UFMG: Matheus Ferreira.
Adaptação do texto para o programa de Intercámbio Escala Docente. Outubro 2014.
Atividade coordenada na UFMG, Universidade Federal de Minas Gerias pelo professor Adolfo Cifuentes
Departamento de Fotografia Teatro e Cinema, EBA, Escola de Belas Artes, UFMG.

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